Sexta-feira, dia de penitência

Tende piedade, Senhor, pois pecamos contra Vós!

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina nestas palavras sobre o verdadeiro sentido das penitências:

Como já acontecia com os profetas, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa primariamente as obras exteriores, «o saco e a cinza», os jejuns e as mortificações, mas a conversão do coração, a penitência interior: Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude com sinais visíveis, gestos e obras de penitência. (Cf. Jl 2, 12-13: Is 1,16-17: Mt 6, 1-8.16-18) (CIC § 1430)

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“Se Deus quiser!”

Na oração do Pai-Nosso dizemos “seja feita a Vossa vontade”, mas será que sempre nos dispomos a viver essas palavras?

Às vezes podemos nos pegar falando uma grande besteira, capaz de expressar a nossa total mesquinhez e egoísmo: “Se Deus quiser eu (…)”; “Deus queira que eu (…)”.

Nunca iremos dobrar a vontade de nosso Pai. Em nosso mundinho, imaginamos que tudo que nos brota da vontade e nos desejos será bom para nós; entretanto, não enxergamos a graça que é escutarmos e cumprirmos a vontade do Pai. Nada que seja material (meras criaturas de Deus) conseguirá suprir nossa ânsia pelas coisas celestes. Para sermos realmente realizados, só nos basta submetermos nossa vontade à de Deus.

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Carta de São João da Cruz a um carmelita descalço, seu filho espiritual

Um contraste entre fé e sentidos na busca da santidade

Esta direção espiritual de São João da Cruz nos é de muita valia se, ao perseverarmos nas práticas de piedade, não sentimos nada (nem um arrepio, frio na barriga, ou êxtase sequer), ou também se, enebriados pelos sentidos, sempre estamos a sentir alguma coisa, que nos mascara a devida piedade às coisas celestes; isto é, se estamos sempre a tentar encontrar a resposta de Deus às nossas orações através de nosso mundo sensível. São João da Cruz indica-nos o verdadeiro caminho, através de uma fé cega, “vazia e desapropriada de todo bocado de apetite”. Medite esta epístola como se fosse você mesmo o destinatário. Continue Lendo “Carta de São João da Cruz a um carmelita descalço, seu filho espiritual”

Oração à Bem-Aventurada Dulce dos Pobre

Senhor nosso Deus, lembrados de vossa filha, a Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, cujo coração ardia de amor por vós e pelos irmãos, particularmente os pobres e excluídos, nós vos pedimos: dai-nos idêntico amor pelos necessitados; renovai nossa fé e nossa esperança e concedei-nos, a exemplo desta vossa filha, viver como irmãos, buscando diariamente a santidade, para sermos autênticos discípulos missionários de vosso filho Jesus. Amém.

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Homilia do Papa Francisco na Solenidade de Pentecostes

O Espírito liberta os espíritos paralisados pelo medo. Vence as resistências. A quem se contenta com meias medidas, propõe ímpetos de doação. Dilata os corações mesquinhos. Impele ao serviço quem se desleixa na comodidade. Faz caminhar quem sente ter chegado. Faz sonhar quem sofre de tibieza. Esta é a mudança do coração. Muitos prometem estações de mudança, novos começos, renovações portentosas, mas a experiência ensina que nenhuma tentativa terrena de mudar as coisas satisfaz plenamente o coração do homem. A mudança do Espírito é diferente: não revoluciona a vida ao nosso redor, mas muda o nosso coração; não nos livra dum momento para o outro dos problemas, mas liberta-nos dentro para os enfrentar; não nos dá tudo imediatamente, mas faz-nos caminhar confiantes, sem nos deixar jamais cansar da vida. O Espírito mantém jovem o coração, uma renovada juventude. A juventude, apesar de todas as tentativas para a prolongar, mais cedo ou mais tarde passa; ao contrário, é o Espírito que impede o único envelhecimento maléfico: o interior. E como faz? Renovando o coração, transformando-o de pecador em perdoado. Esta é a grande mudança: de culpados que éramos, faz-nos justos e assim tudo muda, porque, de escravos do pecado, tornamo-nos livres; de servos, filhos; de descartados, preciosos; de desanimados, esperançosos. Deste modo, o Espírito Santo faz renascer a alegria, assim faz florescer no coração a paz.

Quando a vida das nossas comunidades atravessa períodos de «lassidão», em que se prefere a comodidade doméstica à vida nova de Deus, é um mau sinal. Quer dizer que se busca abrigo do vento do Espírito. Quando se vive para a autoconservação e não se vai ao encontro dos distantes, não é um bom sinal. […] O Espírito lembra à Igreja que, não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor. Não nos cansemos, então, de convidar o Espírito para os nossos ambientes, de O invocar antes das nossas atividades: «Vinde, Espírito Santo!»

Trecho da homilia da Solenidade de Pentecostes realizada pelo Papa Francisco no dia 20 de maio de 2018.
Leia a homilia na íntegra.

50 anos de Humanae Vitae

Em 25 de julho de 1968, mais uma vez a Igreja pôs-se contra a sociedade hedonista, através da publicação da encíclica Humanae Vitae do Beato Papa Paulo VI, sobre o controle da natalidade.

Como verdadeiros católicos, não devemos negligenciar a nossa obrigação de estudar (e sobretudo cumprirmos!) a doutrina contida nesta Encíclica. O próprio Papa exorta à observação desses preceitos, e evoca a autoridade da Igreja para guiar-nos, como verdadeira mãe, que aponta os nossos erros para não nos afastarmos de Deus:

[…] A Igreja, de fato, não pode adotar para com os homens uma atitude diferente da do Redentor: conhece as suas fraquezas, tem compaixão das multidões, acolhe os pecadores, mas não pode renunciar a ensinar a lei que na realidade é própria de uma vida humana, restituída à sua verdade originária e conduzida pelo Espírito de Deus. (HV, § 20)

Que todos os católicos possam assimilar os ensinamentos contidos neste documento e viver com alegria a moral católica, e que através da verdadeira defesa da dignidade humana sejamos evangelhos vivos a serem seguidos por todos.

Beato Papa Paulo VI, rogai por nós!
São Tiago, rogai por nós!
Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós!

Leia a Encíclica Humanae Vitae na íntegra.
Imagem: Jornal Folha de São Paulo, de 5 de maio de 1970, página 14. Imagem completa.

Cristo desceu à mansão dos mortos

632. As frequentes afirmações do Novo Testamento, segundo as quais Jesus «ressuscitou de entre os mortos» (1 Cor 15, 20) (528), pressupõem que, anteriormente à ressurreição, Ele tenha estado na mansão dos mortos este o sentido primeiro dado pela pregação apostólica à descida de Jesus à mansão dos mortos: Jesus conheceu a morte, como todos os homens, e foi ter com eles à morada dos mortos. Porém, desceu lá como salvador proclamando a Boa-Nova aos espíritos que ali estavam prisioneiros.

633. A morada dos mortos, a que Cristo morto desceu, é chamada pela Escritura os infernos, Sheol ou Hades, porque aqueles que aí se encontravam estavam privados da visão de Deus. Tal era o caso de todos os mortos, maus ou justos, enquanto esperavam o Redentor, o que não quer dizer que a sua sorte fosse idêntica, como Jesus mostra na parábola do pobre Lázaro, recebido no «seio de Abraão». «Foram precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus Cristo libertou quando desceu à mansão dos mortos». Jesus não desceu à mansão dos mortos para de lá libertar os condenados, nem para abolir o inferno da condenação, mas para libertar os justos que O tinham precedido.

634. «A Boa-Nova foi igualmente anunciada aos mortos…» (1 Pe 4, 6). A descida à mansão dos mortos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da redenção.

635. Cristo, portanto, desceu aos abismos da morte, para que «os mortos ouvissem a voz do Filho do Homem e os que a ouvissem, vivessem» (Jo 5, 25). Jesus, «o Príncipe da Vida», «pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira» (Heb 2, 14-15). Desde agora, Cristo ressuscitado «detém as chaves da morte e do Hades» (Ap 1, 18) e «ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos» (Fl 2, 10).

«Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei dorme. A terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos […]. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte. Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho […] “Eu sou o teu Deus, que por ti me fiz teu filho […] Desperta tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos: levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos”».

Trecho da Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 632 a 635.
Leia o Catecismo completo através do site do Vaticano.

Imagem:
Ícone da descida de Cristo à mansão dos mortos, no estilo siro-maronita.
Retirado do livro The Maronite Icons: Modern Sacred Art.