“Se Deus quiser!”

Na oração do Pai-Nosso dizemos “seja feita a Vossa vontade”, mas será que sempre nos dispomos a viver essas palavras?

Às vezes podemos nos pegar falando uma grande besteira, capaz de expressar a nossa total mesquinhez e egoísmo: “Se Deus quiser eu (…)”; “Deus queira que eu (…)”.

Nunca iremos dobrar a vontade de nosso Pai. Em nosso mundinho, imaginamos que tudo que nos brota da vontade e nos desejos será bom para nós; entretanto, não enxergamos a graça que é escutarmos e cumprirmos a vontade do Pai. Nada que seja material (meras criaturas de Deus) conseguirá suprir nossa ânsia pelas coisas celestes. Para sermos realmente realizados, só nos basta submetermos nossa vontade à de Deus.

Encarrego o Catecismo da Igreja Católica para nos ensinar o aprofundamento necessário:

2825. Jesus, «apesar de ser Filho, aprendeu, por aquilo que sofreu, o que é obedecer» (Heb 5, 8). Com quanto mais razão nós, criaturas e pecadores, que n’Ele nos tornamos filhos de adopção! Nós pedimos ao nosso Pai que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d’Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu: fazer o que é do agrado do Pai (Cf. Jo 8, 29):

«Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu» (Orígenes, De oratione, 26, 3). «Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz “seja feita a vossa vontade” em mim ou em vós, mas “em toda a terra”: para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu» (São João Crisóstomo, In Matthaeum homilia l9, 5).

2826. É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus (Cf. Rm 12, 2; Ef 5, 17) e obter perseverança para a cumprir (Cf. Heb 10, 36). Jesus ensina-nos que se entra no Reino dos céus, não por palavras, mas «fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mt 7, 21)

2827. «Se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende» (Jo 9, 31) (Cf. 1 Jo 5, 14).Tal é o poder da oração da Igreja feita em nome do seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; ela é comunhão de intercessão com a santíssima Mãe de Deus (Cf. Lc 1, 38.49) e com todos os santos que foram «agradáveis» ao Senhor por não terem querido senão a sua vontade:

«Podemos ainda, sem trair a verdade, traduzir estas palavras: “seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” por estoutras: na Igreja como em nosso Senhor Jesus Cristo; na esposa que Lhe foi desposada, como no esposo que cumpriu a vontade do Pai» (Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 6, 24).

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